ESCÁRNIO: é o primeiro poema da série

 Por Redação



 Os meus versos

Meus versos não nascem do acaso.
Eles brotam das entranhas do silêncio, do peso dos dias comuns, das noites em que o pensamento não adormece. São feitos de carne, de memória e de ausência. Carregam marcas que nem sempre aparecem aos olhos de quem lê, mas queimam em quem escreve.

Escrevo porque há algo dentro de mim que precisa sair. Cada verso é uma tentativa de organizar o caos, de dar nome ao que dói, ao que falta, ao que transborda. Não são apenas palavras alinhadas; são fragmentos da minha própria história espalhados pelo papel.

No fim, meus versos são resistência. São a prova de que, apesar das quedas, das perdas e das cicatrizes, ainda há voz. E enquanto houver voz, haverá verso.

___________________________________

Vamos lá! O primeiro da série.


Escárnio

Ri-se da queda quem nunca caiu,

zomba da dor quem nunca sofreu,

faz da desgraça um prato servil,

cuspindo veneno no riso seu.


Escárnio é máscara de falsa bravura,

é língua afiada ferindo o irmão,

é rir da ferida, da fome, e da amargura,

sem ver que a vida é o mesmo chão.


Quem ri da miséria esquece o futuro,

quem debocha hoje pode lamentar,

pois o escárnio é raso, vazio, impuro,

não sabe da vida, só sabe zombar.


 E assim vai o mundo, entre riso e pecado,

mas cedo ou tarde o tempo ensina,

o riso cruel se volta dobrado,

Na boca que ri, a quem a dor

Se destina.

_______________________________

 Autor: Martinho Marcolino da Silva