Por Redação
Entidades católicas aderiram ao manifesto promovido pelo Instituto Isabel contra uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, durante um comício em Belém (PA), em 28 de setembro, quando disse que “as mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas”.
“Quando uma declaração dessa natureza parte do presidente da República, a responsabilidade é ainda maior, pelo alcance de sua palavra e pelo exemplo que o cargo representa”, disseram as entidades.
Além do Instituto Isabel, entidade dedicada à defesa de direitos fundamentais, à proteção de crianças e adolescentes e da família, assinam a carta de repúdio cinco entidades católicas: Associação dos Juristas Católicos de Brasília; o grupo de mães católicas ‘Educar para o Céu’; a União dos Juristas Católicos na Diocese de São José dos Campos (UJUCAT); a União dos Juristas Católicos da Arquidiocese de Goiânia (Unijuc); e a Associação Sentinelas do Lar, da Diocese de Foz do Iguaçu (PR). O documento também é assinado por outras 13 instituições da sociedade civil e por 28 pessoas físicas, entre advogados, médicos, defensores públicos e juristas.
Segundo os signatários, o Brasil “enfrenta a grave realidade da violência sexual contra crianças e adolescentes” e “naturalizar a ideia de que meninas devem se acostumar a receber toques íntimos desde cedo relativiza justamente o que exige clareza absoluta”. Para eles, “esse contexto, contudo, não torna a expressão menos preocupante”.
“Embora a declaração tenha ocorrido no contexto de exames de saúde e prevenção ao câncer de próstata, consideramos grave e inadequada a afirmação” do presidente, disse à ACI Digital a presidente executiva do Instituto Isabel, Andrea Hoffmann. Ela ressaltou que “quando se trata da integridade e da proteção de crianças, palavras importam e exigem máxima responsabilidade”.
Para as entidades, “independentemente de qualquer bandeira político-partidária, a proteção da infância exige responsabilidade de todos e, sobretudo, das autoridades públicas na forma como se referem ao corpo e à intimidade de crianças”.
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